terça-feira, 22 de novembro de 2016

Construção de vínculos na adoção tardia não é tarefa fácil


Construção de vínculos na adoção tardia não é tarefa fácil
Crianças apresentam várias reações no período de adaptação com a nova família
Por Denise Emanuele

A adoção de crianças com mais de três anos é considerada “adoção tardia”. Esse termo é baseado no desenvolvimento infantil, pois a partir desta idade a criança já desenvolveu autonomia parcial: não usa fraldas, come alimentos sólidos, ou até come sozinha, fala, anda, e não é mais considerada um bebê.
O principal receio dos pretendentes é a história pregressa das crianças, o medo das vivências que já o acompanham, além da preocupação de não saber lidar com isso. Fica-se com a impressão de que um bebê é mais facilmente “moldado”, sendo mais fácil amar um bebê totalmente dependente do que uma criança maior.
Segundo a psicóloga Amanda Cecília, a maioria dos casais que procuram uma criança para adotar além de buscarem atender seus desejos pessoais, preferem recém-nascidos brancos e sem irmãos, pois a lei não permite separar irmãos. “Este tipo de preconceito atrapalha muito quem está pretendendo adotar uma criança”, lamenta a psicóloga.
“As crianças maiores de três anos de idade já são mais independentes e tem um desejo enorme de serem adotadas e por esse motivo dependendo do acolhimento da família o processo de adaptação será mais fácil”, afirma Amanda Cecília. Ainda de acordo com a psicóloga, não existe um tempo cronológico para a adaptação, o que existe é a criação de vínculos com a nova família. 
A psicóloga também comenta que existem quatro fases no período de adaptação da criança com características específicas: “na primeira fase a criança vai sempre querer agradar os pais para que eles fiquem felizes com a sua presença. Na segunda fase, a criança começa a fazer testes com os pais de diversas formas, pode ser através de agressões verbais do tipo "você não é meu pai ou minha mãe", e pirraças para testar se de fato aquela família a ama verdadeiramente”. 
A terceira fase acontece o chamado processo de regressão, quando a criança começa a ter comportamento mais infantilizado ao seu desenvolvimento atual. Ela pode voltar a fazer xixi na cama ou se comportar como se fosse um bebê, a manha está muito presente. 
Já na quarta fase, acontece a construção de vínculos afetivos, onde toda base de adaptação de uma criança a nova família vai depender desse vínculo construído. Ela precisa estar segura e se sentir amada. 



Foto retirada da internet


Moradora de Nova Iguaçu na baixada fluminense, Osmarina Albuquerque mãe de seis filhos biológicos adotou uma criança de sete anos

 A dona de casa Osmarina Albuquerque de 51 anos, relatou que a adoção aconteceu por acaso, uma vizinha contou para ela que a menina foi abandonada pela mãe na casa de sua tia, que era dependente química e não tinha condições psicológicas e financeiras para ficar com a criança. 
De acordo com dona Osmarina, ela sofreu muito preconceito por adotar uma criança sendo mãe de seis, “teve gente que me chamou de louca me perguntavam como você vai adotar uma criança nesta idade além de criar seus filhos sozinha. ”  Afirmou que não só pessoas da família como amigos achavam que tudo aquilo não passava de uma loucura, mas com o tempo todos entenderam seu gesto de amor.
  Segundo a mãe o processo de adaptação foi fácil, porém, quando entrou na adolescência começou a apresentar quadros de agressividade, tinha muito ciúmes dos irmãos, e a dona de casa foi chamada várias vezes na escola por mau comportamento da menina. “Procurei uma psicóloga e tudo voltou o normal.”

Dona Osmarina e sua filha (Foto: Denise Emanuele)







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