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| Apoiadores do Ocupa Minc sobem ao palco |
Raphael Favila Joppert
Para uma casa lotada, apoiadores do Ocupa Minc sobem ao palco e declamam poesia em forma de protesto
Após o afastamento de Dilma Rousseff, uma das primeiras ações de Michel Temer, ainda como presidente interino, foi extinguir o Ministério da Cultura, incorporando-o ao Ministério da Educação. Ato contínuo, a resposta do setor cultural foi fortíssima. Espaços do MinC em quase todas as capitais foram ocupados em protesto. Contrários à extinção da pasta, segmentos culturais e grande parcela da classe artística passaram a pressionar o governo contra as mudanças impostas. Temer não resistiu e recuou. Prática, aliás, que viria a tornar-se uma constante em seu mandato. O MinC estava mantido. Mas a mobilização dos que consideraram o ato de Temer um “retrocesso contra a Cultura” estava longe do fim.
“As ocupações nunca visaram ao retorno do MinC. O que sempre exigimos é a retomada do Estado de direito. É pela cultura, é pela educação pública de qualidade, é pelo Estado laico, é pelo SUS, é pelos direitos dos trabalhadores, é pela Democracia!”, dizia a nota do Ocupa MinC, movimento social que ocupou em maio o Palácio da Cultura Gustavo Capanema, no Centro do Rio. Foram 70 dias promovendo atividades culturais, shows, debates e oficinas gratuitas até que policiais federais adentraram o edifício para cumprir mandado de reintegração de posse, expulsando os integrantes.
O novo lar escolhido pelo movimento foi um velho conhecido do carioca: o Canecão. A ocupação da casa de espetáculos, fechada há mais de seis anos, trouxe vida ao espaço deteriorado. Em menos de um mês, o lugar foi limpo, suas toneladas de escombros removidas. Nunca o Canecão acolheu tantas atividades. A média foi de impressionantes quatro eventos por dia - de apresentações de medalhões como Chico Buarque a primeiros shows de artistas iniciantes, muitos eles de periferia, até fóruns de debates, cursos e sessões de cinema e teatro. Eventos gratuitos, abertos ao público, que levaram ao espaço em Botafogo até duas mil pessoas em uma só noite.
Proprietária do prédio, a UFRJ pediu recentemente a desocupação do local. Foram apresentados laudos mostrando que o imóvel não tem condições estruturais para receber ninguém. De acordo com as negociações feitas com a Reitoria, os ocupantes continuarão realizando atividades culturais e políticas, mas não poderão manter moradia no espaço.
O Ocupa Minc continua a conscientização nas redes sociais, resistindo contra a ignorância que se manifesta na completa falta de compreensão acerca do papel estratégico da cultura. Levando a lição de que é possível ocupar espaços vazios ou elitizados com arte, democracia, pluralidade, diversidade e educação.
Professor Sady Bianchin fala sobre sua participação no palco do Canecão durante o Ocupa MinC

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