segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Rota Goumert Food Truck Festival Niterói

Rota Goumert Food Truck Festival Niterói
Por Thaís Coelho

Campo de São Bento recebe a sexta edição da Rota Goumert

Pode-se definir Food Truck como uma cozinha móvel,de dimensões pequenas,sobre rodas que transporta e vende alimentos,de forma itinerante.O Food Truck veio das famosas comidas de rua ,a atividade é fonte de renda de muitas famílias,os trabalhadores desse ramo já representam aproximadamente 2% da população.Embora seja atividade antiga,os modelos de venda de comida de rua começaram a inovar a partir da primeira década do século 21,com a modalidade de comércio em Food Truck.No Brasil,com a globalização e a facilidade de viagens,muitos empresários viram a possibilidade de empreender e expandir seus negócios ou abrir um primeiro restaurante num modelo diferente,com contato direto com o público,de baixo custo,sem a necessidade de adquirir ponto comercial ou outros encargos.

E é nesse ritmo que o Campo de São Bento vai fazer a sexta edição do Rota Goumert,no final de semana .Entrevistamos um dos vendedores de Food Truck que vende comidas de rua há 20 anos,seu Jóse Fonseca começou vendendo cachorro-quente em porta de colégio,hoje tem um mini caminhão onde vende variados tipos de cachorro-quente goumert,com pães variados,salsichas do mundo todo e vários molhos produzidos por ele mesmo.

Perguntamos qual local ele acredita ser o mais apropriado para as vendas e ele com exatidão disse: Locais em que as pessoas frequentam todos os dias e irão se acostumar com você ali. Com a goumertização das comidas de rua,seu José acredita que o público alvo mudou e que temos opções pra quem quer algo mais sofisticado e também pra quem gosta do mais simples.Com o preço das comidas de rua mais alto devido a sofisticação das mesmas,seu José diz que as vendas caíram mas garante que quem experimenta dos seu cachorro-quente goumert nunca mais esquece.

No tempo em que conversamos com seu José,uma consumidora apareceu no caminhão para experimentar o famoso cachorro-quente do Zé.Simone Marques,mora em Niterói e participou dos outros Rota Goumert da cidade,perguntamos a ela se sempre havia consumido as comidas de rua e o que achava dos Food Trucks e toda essa sofisticação.”Sempre gostei muito das comidas de rua,se fazemos em casa,nunca fica igual,o Food Truck foi uma idéia muito boa,trazer a sofisticação da culinária para algo que parecia ser tão simples e corriqueiro,só acho que alguns vendedores precisam prestar um pouco de atenção nos preços,em alguns lugares está muito abusivo e sem valer a pena.” disse.



A Rota Goumert Food Truck Festival acontece nos dias 1 e 2 de Outubro no Campo de São Bento-Icaraí. Das 10h às 21h.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Ecovilas como alternativa a vida urbana


Ecovilas como alternativa a vida urbana
Por Amanda Pareico


Ecovilas ou ecoaldeias são comunidades autônomas onde as pessoas têm como objetivo integrar vida social e estilo de vida sustentável, utilizando práticas como produção própria de alimentos orgânicos, energias renováveis, bioconstrução, filtração da água da chuva, entre outras. No transporte, sempre se prefere o uso de bicicletas e carona.
Ecovila Viver Simples, em Minas Gerais - Catraca Livre

Alimentos orgânicos
Em sua produção não são utilizados produtos químicos sintéticos, como alguns fertilizantes, pesticidas e agrotóxicos. Também não devem possuir organismos geneticamente modificados, hormônios e antibióticos. Durante o processamento dos alimentos é proibido o uso das radiações ionizantes e aditivos químicos, como corantes, aromatizantes, emulsificantes, entre outros.


Energias renováveis
São utilizadas fontes renováveis como a energia solar, eólica, moinhos d’água, biogás, etc.


Bioconstrução
Na concepção das casas e móveis, utilizam-se materiais reciclados e reaproveitados do ambiente local. Uma técnica muito usada na bioconstrução, é a criação de mosaicos feitos com vidros e garrafas reutilizados. A iluminação natural é aproveitada ao máximo, através de janelas espalhadas pela casa. Algumas opções de materiais são: tijolos ecológicos, feitos de barro prensado, fardos de palha e barro, pau-a-pique, etc. Nos telhados, uma alternativa é o telhado verde, que é ótimo para o isolamento térmico no inverno e refresca no verão.


Filtração da água
Não há vida sem água. Nas ecovilas, é muito comum a instalação de sistemas de reuso. Esses sistemas captam a água da chuva e a direcionam para cisternas, onde serão reaproveitadas. A sua filtração é feita através de biofiltros de aguapé (uma planta aquática), carvão, areia e brita (um tipo de pedra). Para consumo são utilizados filtros de barro, que são encontrados facilmente e por baixo custo.


Ciclo da água reutilizada – Correio Braziliense
São consideradas pela ONU uma das cem melhores práticas para o desenvolvimento sustentável. O conceito de ecovila surgiu na Europa, em 1991, a partir do livro “Ecovilas e Comunidades Sustentáveis”, escrito pelos pensadores Diane e Robert Gilman.

Gerenciadas por um conselho participativo, todos opinam na tomada de decisões. Todas as atividades visam à criação de uma cultura com mais consciência em relação ao futuro.

O coletivo e o trabalho em equipe são características inerentes destes agrupamentos. Quem lá habita, acredita que não devemos tirar da terra mais do que podemos devolver. A constante competição em que vivemos se transfigura em solidariedade, respeito e confiança.

Além das atividades estarem integradas ao meio ambiente sem causar danos, a saúde, tanto física, emocional, mental e espiritual da pessoa e da comunidade como um todo também deve ser sustentável.

As ecovilas propõem um modelo alternativo ao estilo de vida apressado que levamos, oferecendo uma alternativa pacata e amigável. Batemos um papo com Laman Souza, que tenta levar um estilo de vida muito parecido com o das ecovilas no meio da cidade.

Paixão por carros clássicos sobrevive em tempos de crise

Escort XR3
Paixão por carros clássicos sobrevive em tempos de crise
Mariana Rothman




A paixão do brasileiro por automóveis fica atrás apenas do futebol. Mesmo assim, continua sendo um mercado que movimenta muito dinheiro, mesmo em tempos de crise. E ainda há um mercado mais especifico, o de carros clássicos.


Nem todo carro antigo é de fato um clássico. Normalmente, carros clássicos são os que marcaram época, seja pela construção limitada ou pela aparência. Segundo os sócios da Sigaold Car, uma loja especializada em reparar carros desse tipo, os carros clássicos possuem características únicas, como construção limitada e motor diferenciado.


“Os carros antigos “não-clássicos” são vistos diariamente nas ruas, como alguns modelos de Ford, GM, fuscas e Fiats. Carros clássicos em geral são norte-americanos e europeus dos anos 20 a 80,” explicam.


Sonho de criança realizado


A vontade de ter o carro clássico dos sonhos sempre esteve presente na vida de Guilherme Arantes, corretor de imóveis, que conseguiu comprar seu Escort XR3 conversível há três anos. Ele explica que o XR3 é considerado clássico por ter marcado a década de 80, sendo que na época de seu lançamento só era possível adquirir um em dólares.


“Sou da geração dos anos 80 que nunca via carro conversível nas ruas, esse sempre foi meu sonho. O valor que paguei por ele é irrisório perto de ter um carro desses no Rio de Janeiro”, contou Guilherme.


A manutenção desses carros pode ser um pouco cara, mas a internet ajuda os consumidores que recorrem a ela na hora de procurar serviços e produtos.


O ideal é fazer uma manutenção programada a cada seis meses. Os carros clássicos normalmente possuem uma parte estrutural bem acabada, então só e necessário verificar a mecânica e pequenos detalhes.


Encontro de carros anima colecionadores


Os colecionadores do Rio de Janeiro mantém a tradição de se encontrar para trocar “figurinhas” todo segundo sábado do mês, no Parque do Flamengo.


É uma oportunidade de rever amigos que dividem a mesma paixão e ficar por dentro desse universo automotivo tão particular e apaixonante.







Guilherme Arantes conta sua experiência

Refugiados Sírios


Refugiados Sírios
Por Felipe Coutinho





Atualmente a Síria vive uma guerra que já dura 5 anos, que já fez mais de 250 mil mortos e 4 milhões de refugiados. Refugiados esses que fazem parte da maior crise migratória da Europa desde a segunda Guerra mundial. Porém, ao contrário de seus conterrâneos, alguns sírios escolheram o Brasil, mais especificamente o Rio de Janeiro, para começarem uma nova vida pós Guerra. H.N , um Sírio de 24 anos e que há 1 ano vive em Botafogo, Zona Sul carioca, conta que “ escolheu o Brasil pela facilidade em obter asilo politico”.Porém a facilidade se restringe ao asilo. Diferentemente da Europa, o Brasil não oferece aos refugiados auxílio ou moradia. Por isso H.N e outros 10 Sírios vivem em uma casa de refugiados nos fundo de uma paroquia.Natural da capital Damasco, ele nos conta que na Síria levava uma vida normal, era estudante de Odontologia. Porém, em 2015, com a aproximação do EI na cidade, H.N e seu irmão, forçados pelo pai, deixaram a Síria rumo ao Rio de Janeiro. No rio H.N encontrou “um povo receptivo e caloroso” e conta que mais o chamou atenção é “uma surpreendente cultura Síria já presente” e é o que nos explica o Doutor em História Política, José Eudes “ As colonias Sírias no Brasil são grandes e bem solidificadas, desde o século XX tivemos ondas migratórias de Sírios-Libaneses. A cultura desses países se misturou naturalmente na cultura local, principalmente na culinária”. E é exatamente nessa culinária que a maioria dos refugiados encontra seu sustento, perto da paróquia é possível ver dois irmãos refugiados vendendo salgados Árabes, N.H nos conta que “também pensa em vender salgados, já que apesar da recepção e de uma cultura presente, arranjar emprego não é uma tarefa fácil”.A maioria dos refugiados só se comunicam em Árabe, alguns falam inglês, porém as dificuldades com o português acabam afastando as chances de algum trabalho com carteira assinada. Apesar da adaptação e esperança vivendo no Brasil, seu pensamento permanece na Síria, grande parte da família ainda se encontra em Damasco , N.H diz que “ procura se atualizar sobre notícias da terra natal, o medo e a saudade são sentimentos presentes no seu dia a dia”. O Doutor José Eudes explica que esse é um dos reflexos da Guerra “ É sempre muito complicado medir o prejuízo de uma Guerra, são profundas cicatrizes que atingem todas as camadas sociais, principalmente em uma Guerra civil, onde o número de inocentes que acabam falecendo é maior.” N.H prefere não revelar o nome, têm medo de prejudicar seus parentes “ a Guerra ainda faz parte do meu cotidiano”.









A paixão que vem impulsionando a economia brasileira

Esportes Eletrônicos
Por Felipe Coutinho
A paixão que vem impulsionando a economia brasileira

O Brasil é conhecido mundialmente pelo futebol, favorito de grande parte da população, é responsável por uma movimentação de mais dois bilhões anuais. Porém, nos últimos anos, uma nova tendência vem crescendo, principalmente no público jovem, os chamados Esportes Eletrônicos. Dentre os mais variados jogos, os que são mais populares e geram receitas são DOTA e LOL, e assim como os esportes mais tradicionais, eles também tem seus jogadores profissionais, campeonatos, patrocinadores, fãs e estádios lotados.


Campeonato

O mais recente ocorreu em São Paulo, com um público de 15 mil pessoas e mais de 100mil reais em premiações. Números esses que reforçam o atual panorama da modalidade no Brasil, de acordo com o E-commerce, atualmente o país se encontra em 11º no ranking de maiores mercados de games, movimentando 900 milhões por ano. Com isso, passou a chamar a atenção de empreendedores e investidores. Leandro Vieira é sócio de uma loja virtual de equipamentos e jogos eletrônicos e nos conta como surgiu à idéia investir nesse mercado “É uma área em que há uma grande oportunidade de penetração e um potencial para ser explorada, ao passo que cada vez mais os jovens se interessam por esses jogos" e acredita em um futuro ainda mais promissor” O mercado ainda está em forma embrionária, temos muito potencial para se desenvolver e um grande mercado consumidor disposto a adquirir esse tipo de produto, o futuro é muito positivo".

Wilton Guedes - profissional de E-esports

Para se ter uma idéia do tamanho do mercado, atualmente 61 milhões de Brasileiros se divertem com jogos online e eletrônicos. Ana Schuch, estudante de jornalismo, faz parte desse número “Comecei a jogar com 15 anos, como forma de entretenimento e diversão”, porém a diversão tomou proporções maiores e tomou dimensões profissionais” Atualmente trabalho com e-sports, escrevo diariamente sobre o ramo, viajo para torneios, entrevisto jogadores e sempre me atualizo sobre as novidades”. Estima-se que atualmente mais de 4mil pessoas trabalhem com o ramo.

Porém, é inegável dizer que o grande ponto alto da modalidade seja a carreira profissional. Atualmente as grandes estrelas, os gamers profissionais, já atraem interesse de grandes patrocinadores, dispostos a bancar salários dignos de jogadores de futebol. Para se ter uma idéia, o maior torneio da modalidade distribuiu ano passado mais de 30 milhões de dólares em premiação. “ Muitos atletas atualmente não só vivem de E-esports, como também sustentam famílias” diz o gamer profissional Wilton Guedes, mais conhecido como Nemo, que é atualmente campeão brasileiro “Atualmente muitas empresas estão dispostas a patrocinar esse tipo de campeonato, e a expectativa é de um aumento nos próximos anos”.

Apesar de estar longe de grandes potências como EUA e China, o mercado Brasileiro calcula um salto positivo para os próximos 5 anos, a expectativa é de um crescimento de 9 a 15% anuais, com previsão para geração de mais de 4 bilhões de reais em 2020.

Movimento Escola sem partido


Miguel Nagib - advogado e idealizador do projeto de lei
Movimento Escola sem partido
Por Raphael Favila e Thaís Coelho

O movimento “Escola sem Partido”, que diz representar pais e estudantes contrários ao que chamam de “doutrinação ideológica” nas salas de aula brasileiras, existe há vários anos, mas só a partir de 2015 começou a provocar polêmica - desde que câmaras municipais, assembleias legislativas e o Congresso Nacional começaram a debater projetos de lei inspirados no grupo. O projeto de Lei 7180/2014 foi idealizado pelo advogado Miguel Nagib com o apoio do senador Magno Malta (PR) e do deputado Erivelton Santana (PSC/BA).

A famigerada Lei que tanto dividi opiniões tem em seu texto “Inclui entre os princípios do ensino o respeito às convicções do aluno, de seus pais ou responsáveis, dando precedência aos valores de ordem familiar sobre a educação escolar nos aspectos relacionados à educação moral, sexual e religiosa”. Conteúdo que já está previsto pela constituição como o próprio site do movimento diz. Todavia é questionável a real importância deste projeto, apoiado pela bancada evangélica, assim como a relevância e abrangência da temática e o que ela acrescentaria na educação nacional.

“No projeto, dizem defender “a liberdade de aprender do aluno”. Mas, na Constituição, está lá “liberdade de aprender, de ensinar o pensamento, e o saber”. Eles excluíram a liberdade de ensinar do professor” Nos conta, Elizabeth Hoertel, coordenadora da escola CEPE de Miguel Pereira, cidade a aproximadamente 12,5km da capital estadual, “Os defensores do Escola Sem Partido dizem que basta ler o projeto para saber do que se trata. Não é bem assim. É preciso conhecer a atuação do movimento para compreender esses projetos” conclui. Mostrando que as leis não afetam apenas o ensino nas capitais, mas, principalmente, no interior do estado.

Relacionado a relevância da proposta ela acrescenta “Quando não se sabe bem do que é, e ouvem “Escola Sem Partido” pensam: “isso é bom, escola não deve ser dominada por nenhum partido”. O nome querendo ou não foi muito bem utilizado. Os movimentos conservadores sabem usar a linguagem fácil e do senso comum” afirmou.

No site da organização “Escola sem partido”, encontramos inúmeras denúncias com fotos e vídeos de uma possível doutrinação ideológica, porém constata-se a imparcialidade no direcionamento dos acusados dessa prática pelo movimento como poucos partidos políticos e ideologias apresentando uma única interpretação dos fatos aos olhos dos mais leigos. Procurada, o site da organização não respondeu a nenhum dos emails enviados.

Elizabeth Hoertel - Diretora do CEPE de Miguel Pereira

Precisamos de mais muros?


Precisamos de mais muros?
Por Amanda Pareico

O governo do Reino Unido anunciou na quarta-feira, sete de agosto, a construção de um muro na cidade francesa de Calais. Orçada a 2,7 milhões de euros, a obra deverá ser concluída até o final deste ano. O objetivo é bloquear a entrada de refugiados em solo britânico.

Conhecido pela imprensa internacional como “A Grande Muralha de Calais”, o muro terá quatro metrôs de altura por um quilômetro de extensão. Será construído em parceria com o governo Francês, na estrada que dá acesso ao porto de Calais.

Os habitantes do acampamento entram clandestinamente em caminhões que vão até as balsas que atravessam o Canal da Mancha, ligação entre Inglaterra e França. Uma alternativa é percorrer os oito quilômetros que separam o acampamento do Eurotúnel, com auxilio “coiotes”. Porém atravessar o túnel arriscado, pois a vigilância é rigorosa.








Calais recebe refugiados desde 1999, e o atual estado do acampamento é degradante. Vivem lá aproximadamente dez mil pessoas, fugidas das guerras e pobreza no Oriente Médio e África. Este número só aumenta, pois chegam aproximadamente 80 imigrantes por dia no local.


O presidente francês, François Hollande, declarou nesta segunda-feira, 26, que o local será fechado. Sua intenção é transferir os refugiados para pontos espalhados do país. Já a oposição clama por uma atitude mais agressiva, afugentando os imigrantes.


A seguir temos uma entrevista com Otávio Muratori, bacharel em psicologia com especialização em psicologia social.


Pergunta: Você acredita, que com a construção do muro, que os problemas serão resolvidos?


Otávio: Olha, eu acho que a questão dos refugiados, do muramento da cidade, você não vai resolver, porque aquelas pessoas que estão ali não vão desaparecer de uma hora para outra. Então acho que isso não resolve, pois o problema da desigualdade social, da miséria e as condições desfavoráveis para uma saúde física e psíquica dos refugiados não vai ser feita. Você so vai tentar ocultar o lado “feio”, “sujo” da população. O que eles não querem que as pessoas vejam.


P: Que outras alternativas você vê para solucionar esta condição?


O: É muito complicado você pensar num ser humano porque não é um simples manejo de gado que você tira de um lugar e coloca em outro, o problema é mais delicado, mais sutil. Eu acho que deveria haver um investimento massivo para ver a melhor solução.


P: O que procuram os refugiados quando se encaminham à Europa?


O: Bem, eu acho que os refugiados que vão à Europa estão buscando condições de vida onde a existência deles no planeta não seja ameaçada. É uma situação delicada, porque estes refugiados muitos estão vindos de países onde a guerra civil é extremamente um algoz muito presente, são populações que realmente não tinham muita alternativa, ou era abandonar seus paises pra tentar uma outra vida correndo grandes chances de morrer no caminho, ou então de lugares onde a miséria é tão grande que enfim. Você vê, é uma questão tão delicada que você observa que muitas vezes mães e pais mandam seus filhos, quer dizer, pessoas separam-se de seus filhos na tentativa de dar um futuro para eles, e você pode nunca mais vai ver essa criança, e mesmo assim você tenta tirar ele dali.


P: Qual é o prejuízo causado por refugiados no solo Europeu?


O: Há uma alteração na economia, porque você obviamente esta abrigando pessoas que você inicialmente não tinha, você está tendo que receber essas pessoas. Há um problema antropológico, porque a gente observa que a influencia dos imigrantes, como a população de imigrantes tem crescido muito, a cultura europeia, eles tem medo de se dissolver. Eu acho que alias esse é o maior medo da Europa. Essa construção do muro é uma desconsideração ao próximo, é você simplesmente pensar numa estética que fique melhor para si. É você pensar que você tem uma cultura, uma forma de viver, que você tem um modo de pensar que é superior ao dessas outras pessoas que estão em condições desfavoráveis, é uma desconsideração com o próprio ser humano.


P: Você acredita que realmente precisamos de mais muros?


O: Olha, eu acho que esta questão da segregação, como eu disse antes, é muito complicada e ela não acontece só no imigrante de outro pais, podem ser imigrantes no nosso caso, o imigrante nordestino que sofre grande preconceito, para além disso é o imigrante dentro da própria cidade, o diferente, uma pessoa que vive em uma situação completamente diferente da nossa, então a gente vê no próprio rio de janeiro uma segregação enorme da população negra e há um extermínio de várias dessas pessoas por ano e ninguém se sensibiliza por isso. Pessoas em situação de rua, que são movidas de acordo com interesse politico de alguém para deixar determinado lugar mais bonito. Nos jogos olímpicos você não encontrava moradores de rua do centro não estavam lá. Eu acho esse isolamento só serve para mascarar o problema, para omitir a verdade, porque a verdade não é nada bonita, mas ela acontece todos os dias. Não tem como esconder, passar um apagador magico, é uma solução que não pode ser tomada de uma hora para outra, não é uma coisa que você simplesmente vai solucionar repentinamente, é uma coisa que exige tempo, tem que ser planejado com cautela para não ferir o direito e a vontade do outro. É muito fácil pensar: “vamos dar moradia para os moradores de rua”. Mas onde vai ser essa moradia? Essa pessoa realmente quer morar em algum lugar, nesse lugar? A escolha da pessoa é muito importante, a autonomia dela poder escolher é essencial para você pensar num futuro mais humano, você garantir um mínimo de direito de saúde tanto mental quanto física. Para mim saúde não é só ausência de doenças, para mim saúde é um contexto muito maior, é algo que exige grande prevenção, você pensar em sentimentos, condições de vida, tudo isso afeta a condição da saúde. Então para você cuidar dessas pessoas você não pode simplesmente impor a elas a se adequarem ao modelo. Então se você mora na rua além de te dar moradia vamos te colocar neste emprego. Mas espera ai, a pessoa realmente quer fazer isso? O que é isso, um trabalho forçado? Qual o sentido de você privilegiar certos grupos enquanto outro você deixa distante? O bandido também é uma pessoa, o refugiado também é uma pessoa. E eu acho que essa preocupação com o diferente de aceita-lo é essencial para que haja uma maior harmonia, porque o problema é evidente, mas a muitas coisas por trás que acabamos não vendo.