terça-feira, 22 de novembro de 2016

Jovens procuram intercâmbio para melhorar o inglês

Jovens procuram intercâmbio para melhorar o inglês
Por Danielle Crys


Um intercâmbio é a melhor forma de aprender uma língua. Fala Thaís Alves, turistóloga da agência de intercâmbios World Study.
As pessoas procuram fazer um intercâmbio para aprimorar o conhecimento em uma língua, ou aprendê-la. A maioria busca por países de língua inglesa pela importância que o Brasil dá a essa língua.
Portanto, os países mais procurados para essa experiência são Estados Unidos, Canadá, Austrália, seguidos de outros.
Existem muitas agências especializadas em enviar brasileiros para país estrangeiros com o propósito de estudar uma língua. E a maioria opta por ir por agência por acreditar ser mais seguro e por não tem conhecimento das escolas.
Há diversas opções para realizar o intercâmbio, mas a mais usada é chamada “host family”. O estudante fica hospedado na casa de uma família nativa do país ao qual ele está visitando. Geralmente, no contrato está incluso café da manha e jantar.
A “host family” garante um contato direto com a língua estudada, o aluno convive diariamente com a família vivenciado seus hábitos e costumes.
A estudante de direito, Meireanne Barbosa de 23 anos, conta sua vontade de estudar fora. “Tenho vontade de ir para Irlanda por 8 meses. Meu desejo é descobrir uma cultura diferente e crescer profissional através desta experiência. Já fui à agência especializadas para avaliar as propostas e pretendo ir antes de me formar.” Ana Beatriz Brunello, de 21 anos, estudante de direito, conta sua experiência.
Ana Beatriz em Vancouver (Foto: Danielle Crys)
“Fui para o Canadá passar dois meses. O contato com um país totalmente diferente do meu, com pessoas que você eu não conhecia e falando uma língua que não era a minha, me trouxeram uma experiência única, de aprendizado e vivência, onde meu maior obstáculo era lidar comigo mesma e saber lidar com tudo para conseguir tirar o melhor proveito possível.”

Relacionamento Abusivo

Relacionamento Abusivo
Por Danielle Crys


De acordo com o segundo volume da Pesquisa Nacional de Saúde 2013 do IBGE, 3,1% das mulheres brasileiras com mais de 18 anos – um total de 2,5 milhões de mulheres – já foi vítima de agressão física, verbal e emocional de autoria de conhecidos, como pai, irmão, amigos, namorado, noivo ou marido.

Foto retirada da internet
A psicanalista Laura de Andrade explica porque este tipo de relação é considerada abusiva: “um relacionamento é considerado abusivo quando ocorre a dominação e o controle do outro, quando esse outro é usado como objeto de satisfação, como propriedade, quando não é respeitado os limites, desejos, liberdade de escolha e interesses emocionais do outro que está sendo "abusado". É realmente um abuso, porque há uma invasão desse outro por completo. Invasão de privacidade, intimidade, controle de todas as atitudes, há uma dominação desse outro em todos os aspectos, inclusive sob o uso de constantes ameaças quando esse outro tenta sair um pouco desse padrão de dominação e de sufocamento.”

É difícil identificar este tipo de relacionamento, pois o abusador tende a culpar a vítima pelos abusos, que vão desde insultos verbais ao ciúme excessivo, continuado de violência psicológica podendo levar a violência sexual e física.

A produtora e cenógrafa, Isabela Sodré, de 26 anos conta da dificuldade que teve para reconhecer que não era a causadora e sim vítima de todos os abusos psicológicos que sofreu. Ela ainda se sente culpada por ter permanecido no relacionamento. (vídeo)

I.S., 22 anos e jornalista, conta que tipos de abusos sofreu por parte de seu namorado. “Ele nunca foi declaradamente um homem controlador, mas me manipulava sem que eu percebesse. Quando eu comecei a notar, eu já não tinha mais contato com amigos que não fossem “nossos”. Se eu dissesse que não queria transar, era motivo para a gente brigar e ele ficar de cara feia por vários dias. Ele me pressionava, ou então abusava de mim, quando eu estava dormindo.”


I.S (Foto: Danielle Crys)
A terapeuta explica que um relacionamento abusivo causa uma devastação emocional, perda da identidade e dificuldade de reconhecer seus próprios desejos. Porque há um apagamento do sujeito desejante, ele passa a ocupar a posição de objeto do outro que tem o perfil abusador.
N. G., 20 anos, universitária fala como ficou após o rompimento da relação: “depois do ocorrido, eu caí numa depressão profunda. Tentei me matar duas vezes (por meio de remédios), passei por crises de auto mutilação, muitas crises de ansiedade e as doses de antidepressivo e ansiolítico só foram aumentando.” A N. ainda toma remédio e faz acompanhamento em clínica psiquiátrica uma vez por mês e psicanalista uma vez por semana.
Seja qual for violência, ela pode ser denunciada em qualquer delegacia ou Central de Atendimento à Mulher(Ligue 180). E as prefeituras também oferecem centros de atendimento, que acolhem as mulheres em situação de violência.

I.S. 
Ao registrar o boletim de ocorrência em uma delegacia, a mulher pode entrar com uma medida protetiva sob a Lei Maria da Penha que obriga o agressor a se manter longe dela.

Intercâmbio no exterior cresce entre universitários

Intercâmbio no exterior cresce entre universitários
A procura aumentou 40% em dois anos

Por Isadora Catem


Estudantes brasileiros estão optando pelo intercâmbio no exterior cada vez mais para aprimorar o currículo e aprender uma nova língua. Com o crescimento de 40% de universitários intercambistas nos dois últimos anos, as agências do segmento Estudos e Intercâmbios também tiveram uma resposta positiva, quintuplicando o seu número entre 2009 e 2016.


Segundo Maura Leão, a diretora de operações da Belta, as pessoas estão entendendo melhor a necessidade de se fazer um programa no exterior. “Eles sabem que isso serve para uma especialização profissional, ou até pra se posicionar melhor no mercado".


Os programas de intercâmbio para universitários tem a finalidade de ampliar o conhecimento e promover trocas de experiências. As possibilidades são inúmeras, incluindo curso de idiomas, trabalho voluntário, work experience, programas de graduação e cursos de curta duração.


Márcio Christ, coordenador de intercâmbio e relações institucionais da Facha, aponta o programa Ciências sem fronteiras como um dos principais motivos para este aumento: “Nunca na história do Brasil tivemos um programa tão amplo e oferecido para todos os Estados da Federação”. Criado em 2011, o programa para financiar o estudo de brasileiros no exterior concebeu até este ano 101.446 bolsas de estudos, sendo 80% a alunos de graduação.


Professora da Fisk, Ana Júlia Nali Gioli estudou na Universidade de Santiago de Compostela pelo programa e conta sua experiência: “Começou abrindo muitas portas. Aqui no Brasil eu pude ser professora de espanhol, uma coisa que eu gosto muito”.


O Ciências sem fronteiras vai ganhar um novo formato para o próximo ano. Entre as mudanças propostas, está uma maior atenção aos alunos de pós-graduação de todas as áreas do conhecimento, investimento em estudantes do Ensino Médio para curso de línguas de curta duração e bolsas de mestrado.

UK Universities 2016

Estande da King's College London no RJ (Foto: Isadora Catem)

                                                                  
Incluindo alguns dos países mais desejados para intercâmbio, o Reino Unido tem investido fortemente na captação de estudantes brasileiros. Em outubro deste ano, 19 universidades britânicas realizaram no Rio de Janeiro e São Paulo a UK Universities 2016. 

O principal intuito da feira foi informar os candidatos sobre os processos de admissão, bolsas de estudos, exames de proficiência em língua inglesa e sobre os diversos cursos e áreas. Estandes e palestras sobre o IELTS também foram oferecidos.





“Mesmo com a crise, todos dizem que ainda vale divulgar e investir no Brasil, pois há um grande número de aluno com interesse e necessidade de estudo no exterior. Outro fator que colabora com este processo é o excelente desempenho de alunos brasileiros no exterior”, afirma o coordenador Márcio Christ.












Construção de vínculos na adoção tardia não é tarefa fácil


Construção de vínculos na adoção tardia não é tarefa fácil
Crianças apresentam várias reações no período de adaptação com a nova família
Por Denise Emanuele

A adoção de crianças com mais de três anos é considerada “adoção tardia”. Esse termo é baseado no desenvolvimento infantil, pois a partir desta idade a criança já desenvolveu autonomia parcial: não usa fraldas, come alimentos sólidos, ou até come sozinha, fala, anda, e não é mais considerada um bebê.
O principal receio dos pretendentes é a história pregressa das crianças, o medo das vivências que já o acompanham, além da preocupação de não saber lidar com isso. Fica-se com a impressão de que um bebê é mais facilmente “moldado”, sendo mais fácil amar um bebê totalmente dependente do que uma criança maior.
Segundo a psicóloga Amanda Cecília, a maioria dos casais que procuram uma criança para adotar além de buscarem atender seus desejos pessoais, preferem recém-nascidos brancos e sem irmãos, pois a lei não permite separar irmãos. “Este tipo de preconceito atrapalha muito quem está pretendendo adotar uma criança”, lamenta a psicóloga.
“As crianças maiores de três anos de idade já são mais independentes e tem um desejo enorme de serem adotadas e por esse motivo dependendo do acolhimento da família o processo de adaptação será mais fácil”, afirma Amanda Cecília. Ainda de acordo com a psicóloga, não existe um tempo cronológico para a adaptação, o que existe é a criação de vínculos com a nova família. 
A psicóloga também comenta que existem quatro fases no período de adaptação da criança com características específicas: “na primeira fase a criança vai sempre querer agradar os pais para que eles fiquem felizes com a sua presença. Na segunda fase, a criança começa a fazer testes com os pais de diversas formas, pode ser através de agressões verbais do tipo "você não é meu pai ou minha mãe", e pirraças para testar se de fato aquela família a ama verdadeiramente”. 
A terceira fase acontece o chamado processo de regressão, quando a criança começa a ter comportamento mais infantilizado ao seu desenvolvimento atual. Ela pode voltar a fazer xixi na cama ou se comportar como se fosse um bebê, a manha está muito presente. 
Já na quarta fase, acontece a construção de vínculos afetivos, onde toda base de adaptação de uma criança a nova família vai depender desse vínculo construído. Ela precisa estar segura e se sentir amada. 



Foto retirada da internet


Moradora de Nova Iguaçu na baixada fluminense, Osmarina Albuquerque mãe de seis filhos biológicos adotou uma criança de sete anos

 A dona de casa Osmarina Albuquerque de 51 anos, relatou que a adoção aconteceu por acaso, uma vizinha contou para ela que a menina foi abandonada pela mãe na casa de sua tia, que era dependente química e não tinha condições psicológicas e financeiras para ficar com a criança. 
De acordo com dona Osmarina, ela sofreu muito preconceito por adotar uma criança sendo mãe de seis, “teve gente que me chamou de louca me perguntavam como você vai adotar uma criança nesta idade além de criar seus filhos sozinha. ”  Afirmou que não só pessoas da família como amigos achavam que tudo aquilo não passava de uma loucura, mas com o tempo todos entenderam seu gesto de amor.
  Segundo a mãe o processo de adaptação foi fácil, porém, quando entrou na adolescência começou a apresentar quadros de agressividade, tinha muito ciúmes dos irmãos, e a dona de casa foi chamada várias vezes na escola por mau comportamento da menina. “Procurei uma psicóloga e tudo voltou o normal.”

Dona Osmarina e sua filha (Foto: Denise Emanuele)







O tabu do suicídio na imprensa

O tabu do suicídio na imprensa
Por Luan Toja e Mariana Rothman


Muitos talvez não saibam, mas um dos nossos maiores problemas de saúde pública ainda é tratado pela sociedade como tabu. Segundo o relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o oitavo país no mundo e o quarto na América Latina com maior número de suicídios. Entre 2000 e 2012 foi registrado por aqui o maior índice de aumento em mortes voluntárias. Neste intervalo, foram quase 15 mil, e o número só cresce, sobretudo, entre os mais jovens.
Ilustração retirada da internet
Nos últimos dez anos, a taxa de suicídio teve alta de 40% entre brasileiros de 15 a 29 anos - 
crescimento maior do que o da média da população - tornando-se a segunda maior causa de óbitos de pessoas em plena vida produtiva. Essa curva ascendente vai contra a tendência observada em países desenvolvidos, cujos números declinaram após a realização de campanhas de esclarecimento. Isso mostra a necessidade de discutir-se o tema no Brasil, pois uma das maiores dificuldades em abordar o problema gira em torno deste tabu social que resiste desde o começo da civilização. Séculos atrás, os corpos dos suicidas eram enterrados sob montes de pedras. Agora são empurrados para trás de um muro de silêncio.


Este assunto não provoca discussões na mídia, e na visão, inclusive, do Ministério da Saúde, essa falta de mobilização da imprensa vem erroneamente o menosprezando, como se ele, de fato, não existisse. “Nas redações, tem-se a ideia de que a difusão do suicídio incitaria pessoas que já sofrem com graves problemas psicológicos de depressão. Mas isso é uma coisa velada, curiosamente, isso não é falado abertamente por lá, não há uma regra estabelecida em manual”, ponderou Geraldo Mainenti, ex-coordenador da equipe de jornalismo da GloboNews.


De tantas vítimas que fez, o 10 de setembro tornou-se o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Data criada em 2003 especialmente para alertar às diversas formas que existem para se evitar o suicídio, este ano celebrada com o lema "conectar, comunicar, cuidar".
Tarcísio Souza (Foto: Luan Toja)
Informar e elucidar sobre o tema pode, até mesmo, evitar a consumação do ato, pois, geralmente, potenciais suicidas, emitem sinais antes de praticar qualquer ação fatal. Tais pessoas tendem a se envolver em comportamentos autodestrutivos, como o uso de drogas ou álcool sem moderação, que assim como contribuem para a violência contra o próximo, também pode desencadear em agressões contra si mesmo. Tal qual o caso de Tarcísio Souza, 28 anos, que após o término de seu namoro, em 2011, chegou a tomar delicadas atitudes irrefletidas: “Passei a achar que só uma coisa poderia me fazer bem, mas que, na verdade, era o que mais me fazia mal. Acabei perdendo a graça no sentido da vida, fiquei cego, só tinha ela na cabeça e me tornei um depressivo autoflagelante”, contou.



Efeito Werther

A imprensa evita publicar suicídios temendo o que os especialistas chamam de "efeito Werther". O nome remete ao personagem de um livro de Goethe, publicado em 1774. “Os Sofrimentos do Jovem Werther” relata a história de um jovem apaixonado por Charlotte, mulher casada e feliz. Werther, inconsolável, se mata. Historiadores relatam que o livro foi proibido em vários países por causa de uma súbita epidemia de suicídio entre jovens.
Além disso, uma pesquisa do Ipea (agosto de 2013), afirma que “a mídia é o terceiro motivador de suicídio, depois do desemprego e violência”. Segundo o estudo “O modelo estimado mostra que o aumento de 1% em citações na mídia eleva a taxa de suicídio de homens jovens (idade entre 15 e 29 anos) em 5,34%”. Há também outras razões bem práticas e compreensíveis para a ocultação do assunto: amenizar o inevitável sentimento de culpa dos familiares e amigos próximos do morto, respeitar a privacidade de sua dor, implicações securitárias etc.

O efeito contágio existe, diz o médico D'Oliveira, do Ministério da Saúde, especialmente quando um astro pop ou um líder carismático tiram a própria vida. Os jovens são o grupo mais vulnerável e influenciável. No entanto, a mensagem que o Ministério da Saúde quer passar é que, seja qual for o motivo, o suicídio é um fenômeno crescente na sociedade desenvolvida, mas pode ser evitado. É essencial que não se oculte o problema e que sejam aplicados os planos de prevenção elaborados pelas autoridades da saúde, e que mal são cumpridos. "Não falar, não debater, não mostrar que esse é um problema de saúde pública só agrava o quadro", afirma D'Oliveira.

Cássia Chaffin doutora em Psicologia
E essa prevenção só se faz, justamente, com informação. Contudo, a imprensa apenas reflete a sociedade à qual ela serve, e esse corpo social tem medo de tocar no assunto. Parte do silêncio ainda se deve à crença de que o relato de casos pode ajudar a criar uma espécie de efeito Werther, mas essa quase unanimidade está sendo rompida pela visão de que é melhor debater o problema que se esconder dele. Começa a construir-se um consenso no qual não se pode mais negar atenção ao suicídio. “Limitada por conceitos morais e religiosos a imprensa brasileira evita até abordar temas como a eutanásia e a morte assistida, que outros países discutem e inclusive autorizam” lembrou Cassia Chaffin, mestre em Comunicação Social e doutora em Psicologia.

“Se pudermos assistir melhor as pessoas em crise identificando risco e tomando medidas protetoras, estaremos lidando melhor com o suicídio, realizando sua prevenção em um nível estritamente necessário”, completou.













Comemorações da morte de William Shakespeare

Comemorações da morte de William Shakespeare
Espetáculos como “Parada Shakespeare” encantam o público carioca nos 400 anos da morte do autor inglês
Por Isadora Catem 
Pôster de William Shakespeare / Foto: Scenografia




  

Consagrado dramaturgo inglês, William Shakespeare é lembrado diversas vezes em espetáculos inspirados em suas peças em 2016, ano que configura os 400 anos da morte do bardo. Fãs de todo o mundo puderam celebrar as obras de Shakespeare através de criativas produções, incluindo um elaborado desfile, concertos e fogos de artifício onde ele nasceu, Stratford-upon-Avon. A cidade recebe três milhões de pessoas do mundo todo ao ano.


Para os admiradores cariocas, não faltaram comemorações durante o ano. A parceria entre Thiago Lacerda e o diretor Ron Daniels gerou duas montagens: Macbeth e Medida por Medida. Em outra parceria de sucesso, o British Council e o CCBB realizaram oficinas e uma remontagem inédita de A Tempestade.


O Teatro Poeira também realizou leituras de trechos de peças e sonetos com a participação de atores e estudiosos. Já a Orquestra Petrobras Sinfônica, em homenagem aos 400 anos de sua morte, fez um concerto de gala no Teatro Municipal com versões de Tchaikovsky, inspiradas por Shakespeare.


Além de outras montagens que marcaram presença, a Cidade das Artes exibiu a apresentação de Hamlet, do Shakespeare’s Globe Theatre. “De fato a influência Shakespeariana cresceu nos últimos anos em relação à produção cultural brasileira”, diz Léo Villar, ator da Companhia Teatral Terceiro Sinal.


Parada Shakespeare

Parada Shakespeare, o espetáculo circense formado por artistas com e sem deficiência inspirado em obras do bardo, busca além de entreter, informar sobre a inclusão. A estreia da Cia. iLtda nos picadeiros transporta o público para um trem, onde o maquinista, obcecado por Shakespeare, conduz a plateia a uma peça diferente em cada estação.

Encenação de Romeu e Julieta (Foto: Isadora Catem)


Mariana Maciel, professora da Our Lady of Mercy School, menciona o quanto a obra de Shakespeare é universal e sua importância atualmente: “Eu trabalho em uma escola norte-americana, então é muito importante para o inglês aprender estes clássicos. Mas Shakespeare ultrapassa as barreiras linguísticas, comunicar seu legado no circo, mesmo sem o uso da linguagem verbal é lindo”.












O mito do milagre econômico na ditadura militar

O mito do milagre econômico na ditadura militar
Por Luan Toja


É bem comum ouvir-se dizer que entre 1968 e 1973 foi a fase do “milagre econômico brasileiro”. Durante o período, o país foi governado pelos ditadores Costa e Silva e Emílio Médici, mas foi o presidente Castelo Branco, que logo no primeiro ano do regime militar (1964), preparou o terreno para o desenvolvimento posterior, ao lançar o Programa de Ação Econômica do Governo (PAEG).
As medidas do PAEG auxiliadas pelo contexto internacional propiciaram a concretização do tal “milagre econômico”. Com a inflação operando em queda durante todo o período, a economia do país cresceu, em média, 10,2% ao ano (a.a) e o PIB saltou de 9,8% a.a. em 1968 para 14% a.a. em 1973. Mas no sentido de “primeiro fazer crescer o 'bolo' para depois dividi-lo”, como decretou o então ministro da Fazenda Delfim Neto, essa fase estável da economia, confundiu-se com os chamados "anos de chumbo", o período mais repressivo da ditadura, iniciado no fim de 1968, após a edição do AI-5. O que corroborou para um expressivo aumento na concentração de renda.
O ambiente de repressão política e de sindicatos sufocados favoreceu o arrocho salarial, incluindo aí o salário mínimo, colaborando para o crescimento do bolo sugerido pelo ministro Delfim, pois o setor privado fazia grandes investimentos financiados pela folga financeira devido à redução de custos que representava a folha de pagamento – além de favores concedidos pelos militares a determinados setores econômicos. Esse arrocho foi um vetor importante do modelo econômico implantado. Nos 21 anos do regime, o salário mínimo perdeu, em termos reais, mais de 50% do seu valor. “Todo esse controle administrativo sobre os salários, viabilizado pela repressão política, logrou reduzir a participação do trabalho, especialmente o não-qualificado, na renda nacional, aspecto catalisador do crescimento da desigualdade social”, explicou Ricardo Zórtea Vieira, mestre e doutorando em Economia Política Internacional pela UFRJ.


Foto retirada da internet
Segundo o estudo feito por Pedro Ferreira de Souza, pesquisador do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e da UnB, em 1965, a fração recebida pelo 1% mais rico, considerando apenas os rendimentos tributáveis brutos (só o passível de pagar tributo), era cerca de 10% do bolo total. Apenas três anos depois, a cifra foi a 16%.

Professor doutor José Eudes
Por sua vez, o setor público financiava seus investimentos pelo usufruto do endividamento externo, aprofundando por aqui características de uma economia dependente e subordinada. O petróleo, importado a preços baixos no período, impulsionava ainda mais a economia nacional. Mas, em 1974, ocorreu o primeiro choque do petróleo, quando seu preço foi elevado abruptamente. “Nessa época, o Brasil ainda não produzia petróleo, e com o enorme salto no preço dos barris, o governo precisou retirar recursos de programas de desenvolvimento, além de se endividar muito, para poder comprá-los”, contou o professor, mestre em Ciência Sociais e Educação e pós-doutor em História e Política, José Eudes, acrescentando que essa crise também provocou uma aceleração da taxa de inflação no mundo todo e principalmente no Brasil, onde passou de 15,5% em 1973 para 34,5% no ano seguinte.

O milagre então se transformava em pesadelo. Ao fim do regime, a dívida externa passou de cerca de US$ 3 bilhões, em 1964, para quase US$ 100 bilhões, em termos nominais. Para pagar essa dívida, eram usados 90% da receita oriunda das exportações, e o Brasil assim entrou numa fortíssima recessão econômica que duraria até a década de 1990, cujo maior fruto é o desemprego, que se agravou com o passar dos anos e só declinou nos anos 2000. A inflação, que já era alta nos tempos de João Goulart, disparou. Ocorreram grandes movimentos migratórios, de Norte e Nordeste para São Paulo e Rio de Janeiro e do campo para as cidades. Sem empregos, renda e direito à moradia nas cidades, que representavam sonho e esperança, as favelas surgiram como alternativa e como problema urbano e social. Era o fim do sonho dos militares de um “Brasil Grande Potência”.